Snowden e a vigilância

30 de novembro de 2017 Processocom

Augusto Colório

Aluno do Curso de Relações Internacionais da Unisinos – Campus POA

Texto orientado pela professora Jiani Bonin

No ano de 2013, quando o analista de sistemas da agência de governo norte-americana NSA, Edward Snowden, vazou documentos e informações sobre as atividades da organização, o mundo foi surpreendido com a extensão da vigilância empregada não só pelos EUA, mas também por outros governos. Segundo Snowden, dentre as práticas realizadas a principal atividade era a espionagem com grampos telefônicos e vigilância de atividades online, sem autorização judicial, por meio do apoio das empresas de telefonia e comunicação. Apesar da ampla gama de assuntos que este evento suscitou, gostaria de destacar dois problemas que entendo serem centrais. O primeiro é a possível criminalização dos movimentos sociais, a partir da vigilância ilegal e ostensiva dos governos. E a segunda, é a utilização desse instrumento como instrumento de poder para controlar e impedir o avanço de outros estados no Sistema Internacional.

Quanto a criminalização dos movimentos sociais, esse aspecto pode ser entendido, a partir da capacidade que as agências têm adquirido de armazenar dados e coletá-los de forma ilegal, independente de quem seja. Não é à toa que esse anseio de controlar a população por parte do estado, tenha relembrado antigos romances distópicos como 1984 de George Orwell, onde as pessoas estavam submetidas a um estado totalitário capaz de vigiar todas as atividades de sua população. É interessante também destacar que as acusações de Snowden são violações claras de direitos adquiridos ao longo dos anos por parte da sociedade civil e dos movimentos sociais em defesa da liberdade e da privacidade. Por esses aspectos que assustam essa vigilância exacerbada e sem controle. Pois além de utilizar esses meios para criminalizar os movimentos sociais, essa vigilância pode nos colocar em uma situação de ainda mais vulnerabilidade perante o estado e de constante insegurança.

O segundo aspecto que acho importante deste caso é o da vigilância como instrumento de poder por parte dos estados a fim de obterem vantagens estratégica sob outros. Como o caso Snowden e os vazamentos do Wikileaks nos permitiram conhecer, as agencias de vigilância de EUA e Reino Unido estavam em constante vigilância de líderes e setores estratégicos das economias de outros países. Pode-se citar o caso dos leilões do Pré-sal que estavam sendo vigiados de perto pelo pentágono e a própria presidenta Dilma que foi alvo das atividades da NSA. Esse aspecto é importante pois demonstra não só a capacidade de uso dessas atividades para obtenção de vantagens por parte dos estados, mas também da necessidade de os países se protegerem e estarem atentos quanto a esse tipo de conduta. Caso contrário estarão reféns de potências estrangeiras, bem como manterão seu status de subalternidade e dependência no complexo sistema internacional.

Por fim, cabe destacar que a nova revolução tecnológica ainda terá consequências imprevisíveis para os países e seus cidadãos. Parece que o caso Snowden é um dos primeiros a chocarem a comunidade internacional com a complexidade dos temas e desafios que a tecnologia pode trazer. Logo, devemos estar preparados como sociedade civil organizada e através dos movimentos sociais para vigiar a conduta dos estados e para cobrar as lideranças políticas quanto a privacidade e o uso correto da vigilância.

Referências:

Disponível em: https://outraspalavras.net/posts/snowden-o-que-fez-e-por-que-foge/. Acesso em: 28 set. 2017.

Disponível em: https://blogdaboitempo.com.br/2014/06/10/chomsky-edward-snowden-o-criminoso-mais-procurado-do-mundo/. Acesso em: 28 set. 2017.

Filmes:

Citizenfour e Snowden: Herói ou traidor.

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