Recomendação: O Efeito Humdbolt por Fabiano Kueva

5 de junho de 2017 Ismael Ferreira

Nesta sábado, 01 de junho de 2017 foi aberta a exposição do artista-pesquisador Fabio Kueva, em Lisboa. Confira um pouco mais do trabalho apresentado por Kueva:

“A minha primeira viajem fi-la sozinho, com um índio.”

Entre 1799 e 1804, o geógrafo alemão Alexander von Humboldt (1769-1859) e o botânico francês Aimé Bonpland (1773-1858), com passaportes especiais concedidos pelo rei Carlos IV de Espanha e o Conselho das Índias, protagonizaram uma das viagens científicas pela América com maior repercussão e efeitos no futuro. A expedição de Humboldt, que cobriu territórios dos atuais Venezuela, Cuba, Colômbia, Equador, Peru, México e Estados Unidos, é descrita em trinta volumes publicados em Paris entre 1805 e 1834, sob o título de Voyage aux régions équinoxiales du nouveau continent.

Por esta razão, o desafio é traduzir ao viajante científico para além da sua mitologia romântica e da sua condição autoral, mostrando como as relações capital – poder – conhecimento se tornam in/visíveis e permanentes no tempo.

Com base na apropriação das suas estratégias de trabalho: a caminhada, o mapeamento, o diário de campo, a coleção de espécies (vegetais, animais, minerais, arqueológicas) e correspondência pessoal, o projeto procura saber da ficção ao documental, os novos significados do viajante.

Alterando a rota original de Humboldt, visitam-se lugares e chaves localizadas sobre como o ’olhar imperial‘ interpreta as nossas sociedades coloniais; como o ’conhecimento universal‘, toma para si o conhecimento e os bens culturais locais; como o mundo de “construção científica” naturalizou a América, configurando os nossos países como ’fonte de matérias-primas.

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