Michele Placido: 70 anos de vida e mais de 40 dedicados à arte no cinema, na TV e nos palcos

31 de maio de 2016 Processocom

Alexandre Augusti

Pós-doutorando (UFRGS)

Michele Placido 1

Michele Placido completou 70 anos no dia 19 de maio de 2016. O ator, diretor e escritor italiano nasceu em Ascoli Satriano, na região chamada Apúlia (ou Puglia, em Italiano), em 1946. Em 1969, atua como ator profissional, interpretando várias personagens na peça teatral Orlando furioso, dirigida por Luca Ronconi, e inspirada no poema épico renascentista homônimo, escrito por Ludovico Ariosto, em 1516. Em 1972, na minissérie televisiva Joe Petrosino, dirigida por Daniele D’Anza, interpreta a personagem Carlo Costantino. Adiante, inicia trabalhos no cinema, e, já em 1974, participa como o agente Giovanni Pizzullo, no filme Romanzo Popolare, dirigido por Mario Monicelli. Daí, somam-se mais de 100 créditos como ator, além de importantes direções e outras funções orientadas para o cinema, a televisão e o teatro, estando ativo até hoje.

Vallanzasca3

Um dos últimos filmes dirigidos por Michele Placido é Vallanzasca – gli angeli del male (2010). É uma biografia de um famoso ladrão de bancos milanês, chamado Renato Vallanzasca (interpretado por Kim Rossi Stuart), já famoso desde os anos 70 por seus crimes. A narrativa cruza a representação dos delitos cometidos por Vallanzasca com diversas imagens de jornais e outros resgates de informações sobre o criminoso, caracterizando também dessa forma a obra no contexto dos filmes noir, tratando-se mais especificamente de um neonoir italiano.  O aspecto documental da história, somado à abordagem da morte, da violência e do crime a partir de uma perspectiva técnica moderna, com realce dos crimes violentos e sanguinários com cores vivas, destaca esse filme como um excelente represente do gênero noir atualizado no contexto italiano.

Kim Rossi Stuart1 (1)

O carismático criminoso se define da seguinte forma no filme: “Io non sono cattivo. Ho soltanto il lato oscuro um pò pronunciato. Mi sento come l’angelo affascinato dal buio”: “Eu não sou mau. Apenas tenho o lado escuro um pouco pronunciado. Sinto-me como o anjo fascinado pela escuridão.”. A definição que a personagem Vallanzasca dá a si mesma nos reporta à situação de ambiguidade própria do noir. Ainda que suavize seus delitos, a personagem não os nega e evidencia qualidades morais suas. Supera a visão maniqueísta, lançando mão da figura de um anjo, mas que também tem apreço pelo lado negro. Esse é apenas um dos elementos que caracterizam essa obra, oferecendo-lhe complexidade narrativa e conferindo-lhe também qualidade enquanto filme neonoir. O trabalho competente de Michele Placido, somado ao talento de Kim Rossi Stuart, além de boa parte do restante do elenco e de outros profissionais envolvidos, permitem ao filme a conquista de 10 vitórias em 11 indicações para importantes prêmios na Itália e também no exterior.

Kim Rossi Stuart2 (1)

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