Pataxós: por uma cidadania comunicacional

25 de Abril de 2016 Processocom

Helânia Thomazine Porto

A participação direita dos indígenas Pataxós no ciberespaço vem possibilitando um novo tipo de comunicação, especificamente a veiculada no Facebook tem permitido constantes socializações de informações que dificilmente seriam de conhecimento da sociedade.

Sem deixarmos de considerar as limitações presentes em todas as formas de midiatização, o Facebook tem possibilitado aos Pataxós da Bahia a emissão de vozes tradicionalmente não ecoadas em outros meios de comunicação. Assim, por meio do ciberespaço esse povo tem exercido o direito de falar por si mesmo, tomando para si o lugar da enunciação. As produções que emergem via Facebook apresentam-se particularmente muito significativas, principalmente as referências às denúncias de agressões que vêm sofrendo desde o mês de setembro de 2015, em que homens armados alvejaram o veículo em que estava o cacique de uma das aldeias de Cumuruxatiba, localizada no Parque Nacional do Descobrimento, município de Prado (BA).

Desde então, o movimento reivindicatório de retomada do território indígena no Parque Nacional do Descobrimento – Prado (BA) tem sido possível de ser acompanhado, numa perspectiva histórica, pelas postagens de lideranças Pataxós em suas páginas no Facebook. Em uma das postagens, do dia 26 de fevereiro de 2016, uma liderança Pataxó informou sobre a ida de Pataxós do Prado a Brasília (DF), anexando uma imagem construída por uma fotografia ajuntada a um cartaz. O texto informava que: “comissão indígena Pataxó do Prado estão em Brasília denunciando as perseguições políticas e as agressões que vem sofrendo ultimamente”.

  • 25-04-2016 - Helânia25-04-2016 - Helânia (2)COMISSÃO INDÍGENA PATAXÓ DO PRADO ESTÃO EM BRASÍLIA DENUNCIANDO AS PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS E AS AGRESSÕES QUE VEM SOFRENDO ULTIMAMENTE.

O texto nos remete a uma questão que não é recente, pois a desapropriação de terras indígenas Pataxós remontam desde ao século XIX, e até o tempo presente as reivindicações ligadas aos territórios indígenas não foram atendidas.

Os Pataxós têm reconhecido a importância do uso das redes sociais, rumando para uma contra hegemonia, em que os usos e apropriações da internet têm sido realizados de forma mais crítica e política, em prol do fortalecimento dos movimentos de lutas e de resistência.

A participação dos Pataxós no facebook nos conduz a reconhecer que nos encontramos em uma cidadania comunicacional em processo construção, frente às demandas tão imperativas, como a democratização da mídia, em que o direito à comunicação não seja apenas o acesso à informação, mas também aos canais de difusão de conteúdo e à disponibilização dos meios de comunicação a serviço dos interesses populares, como transmissão de conteúdo a partir de novas fontes de informações (do cidadão comum e de suas organizações comunitárias). O entendimento da comunicação para além de meios e mensagens, pois esta se realiza como parte de uma dinâmica de organização e mobilização social, podendo estar imbuída de uma proposta de transformação social e, ao mesmo tempo, de construção de uma sociedade mais justa.

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