Falsa democracia

10 de Março de 2016 nosoymarcelo

Por Julherme José Pires

Conhecido como o braço forte do capitalismo na América Latina, o Brasil é o país da desigualdade. Terra onde a educação não floresce, as instituições não se atualizam e uma parte da população passa fome. Em gravíssimo estado de alerta, os movimentos sociais estão cada vez mais estrangulados. Apesar da evolução comunicacional, através da internet, e a formação de diversos protestos online, a sociedade está presa na invisibilidade dos conceitos mercantilistas. Os estrategistas trocaram a opressão coercitiva pela conceitual. Hoje em dia as pessoas estão presas no que a teoria do jornalismo, “espiral do silêncio”, impecavelmente explica. A teoria defende que os indivíduos buscam a integração social através da observação dos outros, e procuram se expressar dentro dos parâmetros da maioria, para evitar o isolamento.

A cultura de massa deseducada e empobrecida é terreno fértil para a abordagem ideológica e pragmática dos tradicionais veículos de comunicação. A implementação de modelos baseados no padrão consumista é peça chave para a manutenção do sistema, e infelizmente já estão impregnados na sociedade. Achamos que votamos em quem é melhor para nós, mas somos seduzidos por outras “verdades”. Alguns filósofos e sociólogos consideram a democracia brasileira, e residente na maioria dos países do ocidente, não operante. E até mesmo exerça o contrário de seu papel original. Ou seja, um regime autocrático atuando em estado de opacidade.

democracia falsaPara exemplificar o enfraquecimento das tradições, está o desaparecimento das festas populares. As que ainda persistem são basicamente religiosas e existem nas regiões mais pobres e deslocadas dos grandes centros, ou longe até mesmo do perímetro de alcance dos meios de comunicação. O etnólogo, musicólogo e folclorista, Luís da Câmara Cascudo contextualiza o maior exemplo: “o carnaval de hoje é de desfile, carnaval assistido, paga-se para ver. O carnaval, digamos, de 1922 era compartilhado, dançado, pulado, gritado, catucado. Agora não é mais assim, é para ser visto”. Quando os povos perdem as suas culturas, ficam mais suscetíveis a serem dominados.

Escreve Eduardo Galeano em sua obra As Veias Abertas da América Latina: “a democracia formal teria continuidade caso se pudesse garantir que não escaparia ao controle dos donos do poder”. O trecho mostra o porquê da opção “democrática”. Os países vivem reféns de forte influência política de opressores. Por muitas vezes eles mudam de nome, mas sempre estão lá. São forças que fazem girar o mercado de capitais. Nos EUA, os grandes bancos comandam o clero político, como mostra o documentário vencedor do Oscar de 2011, Trabalho Interno.

Em outros países, como do mosaico europeu, pegando o exemplo da Espanha, são enforcados por políticas econômicas nocivas à integridade social da própria população. Lá, o povo já está entendendo a mecânica de funcionamento do sistema. O movimento Spanish Revolution (15M; Indignados) é a maior prova disso. Trata-se de um movimento íntegro e sem liderança, que está avançando sobre esta falsa democracia que impera nos países capitalistas do ocidente. Isso porque a atitude contaminou diversos outros países, como Israel e Inglaterra. Expandiu-se tanto, que chegou ao berço da calúnia, os Estados Unidos da América, com o Occuppy Wall Street. Com outro nome, mas com o mesmo objetivo, esses indignados lutam contra a supremacia do 1% mais rico, que detém cerca de 40% das riquezas do país. Nada como um espelho para o mundo.

Publicado originalmente na 1ª edição da revista Contraponto do coletivo Liga Estudantil de Jornalismo de Chapecó-SC. Mar. 2012. Acesse a edição completa neste link.

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