Game of Thrones – fim de mais uma temporada, promessas pra outras, leitores e espectadores conquistados

17 de junho de 2014 Processocom

Maytê Ramos Pires

       Ontem se encerrou a quarta temporada da série com maior audiência dos últimos tempos – 7.2 milhões de telespectadores em apenas um episódio exibido no HBO. Mas o que leva tantas pessoas a ficarem uma hora na frente da televisão? A se predisporem a pagar por tal consumo, em tempos em que praticamente tudo está na internet, para poder assistir no momento de seu lançamento? A se colocarem em fóruns e povoarem as páginas relacionadas ao seriado, distribuídas pela rede (oficiais ou não)?

       A série data de 2011, encerrando ontem sua quarta temporada das sete previstas. Inspirada na série de livros homônima, que conta atualmente com cinco livros lançados e um sem data prevista, que deverá encerrar a saga. Em suma, o enredo passa-se nos Sete reinos, em Westeros, nos quais as principais famílias da história brigam por conquistar o poder sobre os reinos ou sobre parte deles, ao menos a independência de suas “casas”. Em um reino fantasioso, com a presença de dragões, lobos gigantes, zumbis (os “White Walkers”), gigantes e tantas outras criaturas do imaginário popular, a série ganhou popularidade pelas relações que amarram os conflitos da guerra, os amores e a violência, presentes a cada episódio.

       Os finais de temporada, em si, caracterizam-se pelas situações envolventes e pelo suspense que seguram os telespectadores para o próximo ano: é o que sempre acontece com GoT. No episódio exibido no domingo à noite (15/06), o encerramento da temporada reiterou o que é demasiado evidente nos livros: a busca por retratar em seus personagens, em meio a toda a fantasia, pessoas reais. Apesar do ambiente marcado pelo patriarcado – com reis, cavaleiros e damas – as mulheres têm papel decisivo no enredo. Por vezes o conflito aparece de forma mais subjetiva, mas aparece.

       As questões de gênero foram muito debatidas quando os comentários envolvem a série, por abusar do nudismo feminino e pelas cenas de estupro, embora a meu ver a pitada de sensacionalismo não acarrete em machismo, mas sim diga sobre a fragilidade e a superação dos personagens. E, ao mesmo tempo em que alguns dizem ser machista, outros apontam para o feminismo. GoT não é uma série feminista, não se preocupa com o gênero, mas retrata pessoas, homens e mulheres com suas forças, com suas lutas, sendo protagonistas no que lhes cabe. De qualquer forma, as relações retratadas nos abrem múltiplas outras possibilidades de reflexão e de sentidos, e isso é o mais legal das boas séries.

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