Confira o que foi debatido no 4º dia do Seminário Internacional de Pesquisa em Comunicação Midiática na UFRN

19 de Maio de 2014 Processocom

Maytê PiresTamires Coêlho

No último dia do Seminário Internacional de Pesquisa em Comunicação Midiática: “Fundamentos Teóricos e metodológicos na investigação em comunicação intercultural”, dia 15 de maio, professores e pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS) apresentaram suas atuais investigações, além de debater sobre possíveis caminhos para o campo comunicacional na contemporaneidade. As apresentações foram transmitidas ao vivo pela internet e os participantes no Nordeste e no Sul do Brasil dialogaram por meio de videoconferência.

A IV Mesa Redonda do Seminário Internacional, iniciada pela manhã, começou com a exposição da Profa. Dra. Maria Angela Pavan (PPgEM/Pragma/UFRN), que falou sobre “Mídia e Memória – um caminho para compartilhar o fazer, os saberes e os afetos na realização de documentários”. Ela destacou a importância de mostrar o conjunto de produções existentes no passado e na contemporaneidade aos alunos, bem como a importância de ter uma postura de cuidado e elegância perante a câmera e as imagens que estão sendo mostradas nos documentários. O tema “Antropologia Audiovisual: novas práticas” foi abordado pela Profa. Dra. Lisabete Coradini (PPGAS/Navis/UFRN). Não há uma unanimidade quanto às denominações ligadas à Antropologia Audiovisual, segundo Coradini. A professora também explicou sobre o lugar da imagem na pesquisa antropológica e sobre produções audiovisuais relacionadas a pesquisas etnográficas.

Encerrando a IV Mesa Redonda, a Profa. Dra. Eloísa Joseane da Cunha Klein (Decom/Lapeccos/UFRN) apresentou sobre ”Espalhamento e fixação de personagens de casos midiáticos nos circuitos sociais em mídias digitais”. Ela explicou que as histórias não estão nos jornalistas, mas cabe a eles analisar contextos, construir realidades e histórias que podem não atender às suas expectativas iniciais. É preciso pensar criticamente teorias e aprender a fazer perguntas – isso vale tanto para jornalistas quanto para pesquisadores acadêmicos.

Integrantes do GP Processocom também participaram do 4º dia do Seminário Internacional na UFRN. A doutoranda Tabita Strassburger (PPGCCOM/UFRGS) apresentou sobre “América Latina e cidadania comunicativa: as inter-relações entre os sujeitos comunicantes e o portal TeleSur”. O doutorando Rafael Foletto falou sobre a série “Presidentes de Latinoamérica”, exibida em diversas televisões públicas e estatais na América Latina e disponível na internet, no trabalho denominado “Pesquisas audiovisuais: construindo abordagens para analisar a série televisiva Presidentes de Latinoamérica”. A série é formada por 14 documentários que apresentaram aspectos do cenário latinoamericano, trazendo entrevistas com 12 chefes de Estado da região e mostrando suas perspectivas em âmbito político e privado. O pesquisador focou no último programa feito para a série (2 anos após os outros) e que tratou sobre Pepe Mujica.

Tabita Strassburger, integrante do Processocom, fala sobre sua pesquisa no Seminário Internacional

Marco Bonito, também integrante do Processocom, falou de suas experiências de pesquisa com cegos espanhóis, das dificuldades em contatar e manter vínculos com esses sujeitos durante a fase inicial da pesquisa “Cidadania comunicativa na invenção do cotidiano das pessoas com deficiência visual em Barcelona”. Posteriormente ele se aproximou da Associação de Cegos da Catalunha, que acolhe pessoas com deficiência visual e tenta ajudá-las, e comentou as diferentes lógicas entre os cenários brasileiro e espanhol: no caso da associação espanhola, há uma atuação direta e uma exigência de melhorias junto a órgãos públicos. Quanto à cidadania comunicativa, ele falou que há pontos positivos no cenário espanhol, mas que há também mais avanços no Brasil do que na Espanha, no âmbito de conquistas junto aos meios de comunicação de massa, já que a audiodescrição não é obrigada por lei às emissoras.

Na V Mesa Redonda do Seminário, Lisiane Aguiar (PPGCOM/UFRGS/Processocom) apresentou o início de sua pesquisa de doutorado a partir do tema “A cultura do método de pesquisa no campo da comunicação”. Ela partiu dos ensinamentos de Bachelard, entendendo que o objeto não tá dado, e de Geertz, que entende que o homem assume a cultura como teias que ele mesmo teceu – não é só ver a tradição, mas os comportamentos instituídos nessa cultura. Assim, Lisiane Aguiar estuda o método de pesquisa científica – cultura do ensino do método de pesquisa nos estudos de comunicação. A pesquisadora também propõe uma investigação do ensino de metodologia de pesquisa em 9 programas de pós-graduação brasileiros.

O Dr. Andres Kalikoske Texeira (Processocom/PPGCCOM/UNISINOS), ainda na V mesa, apresentou sobre “Televisão na América Latina: da indústria cultural à cultura de convergência”. Em sua pesquisa, ele constatou que não há uma unidade produtiva na América Latina – a exemplo dos modelos no Brasil (vertical), no México (vertical) e na Argentina (horizontal-oligopólio). O pesquisador não acredita ser produtivo centrar a questão cultural na tecnologia e critica Henry Jenkins, que por sua vez defende uma convergência no plano da tecnologia. “É complicado falar de cooperação, melhor falar de concorrência do mercado”, afirmou. Kalikoske defendeu uma hierarquia de saberes que leva a uma inteligência coletiva e comentou sobre a ausência de interatividade da televisão: o desafio da TV hoje seria dar conta de múltiplos telespectadores e públicos com um conteúdo generalista.

Lisiane Aguiar e Andres Kalikoske respondem a questionamentos dos professores na UFRN (através de videoconferência)

As últimas apresentações do Seminário foram da Profa. Dra. Jiani Bonin (Processocom/PPGCCOM/UNISINOS) e da Profa. Dra. Nísia Martins do Rosário (Processocom/PPGCCOM/UFRGS), denominadas respectivamente “Estratégias metodológicas em perspectiva histórica na pesquisa de recepção midiática” e “Corpos em explosão: rupturas e reconfigurações de sentidos nas corporalidades”.

Jiani Bonin abordou em sua apresentação uma preocupação de que os pesquisadores abandonem a perspectiva histórica, que seria um componente fundamental nas investigações, pensando o contexto no qual os pensamentos foram elaborados. Ela também citou os estudos culturais britânicos, que olham para os sujeitos e para os processos (que transcendem os sujeitos).

De acordo com a apresentação de Nísia Rosário, os corpos têm uma forma muito gradual de se modificar. Além disso, o momento de esgotamento da explosão é um ponto de inflexão do processo. A pesquisadora falou ainda que os sentidos são reterritorializados de forma a serem incorporados ou assimilados pela semiosfera. Semiótica da Cultura “é uma combinação de vários tipos de linguagem que, interseccionadas, vão produzir a própria comunicação e a própria cultura”, explicou a investigadora. Ela também mencionou a importância de estudar textos em seus contextos, porque o olhar do pesquisador pode afetar muito esses textos.

As apresentações do Seminário Internacional podem ser conferidas no YouTube:

https://www.youtube.com/watch?v=cdds1FIHvpU

https://www.youtube.com/watch?v=oXGemEBkPcI

https://www.youtube.com/watch?v=HO1VZUMGkgw

https://www.youtube.com/watch?v=xHVpHKeryjE

https://www.youtube.com/watch?v=GLCKvEYj8oU

https://www.youtube.com/watch?v=P6QtTjFLNoU

https://www.youtube.com/watch?v=ddO2BhGBPNs&feature=youtu.be

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