Saberes Populares em sala de aula: experiências e aprendizados que ultrapassam a universidade

3 de maio de 2014 Processocom

Tamires Coêlho

O que poderia ser apenas mais uma disciplina de pós-graduação tornou-se um ideal inovador em nosso ambiente acadêmico. Uma carga de 15 horas que não traz teorias nem autores consagrados, mas apresenta diferentes modos de vida e de lógicas, instiga e causa inquietação. Uma sala de aula em que professores doutores e pesquisadores são espectadores / alunos / aprendizes de personagens pouco reconhecidos na sociedade brasileira contemporânea.

Quando cheguei à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) em fevereiro de 2014, tinha muitas expectativas de crescimento, afinal estava chegando ao local que me acolheria durante quatro anos de doutorado. Na realidade, ainda não tinha ideia das boas surpresas que viriam pela frente no meu primeiro semestre como doutoranda, sobretudo com uma disciplina nova, experimental e até mesmo inusitada que estava sendo proposta aos alunos no começo do semestre letivo: um Seminário que seria ministrado por pessoas externas à universidade e ao ambiente acadêmico.

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O Seminário “Encontro de Saberes: conhecimentos tradicionais e conhecimentos científicos” foi um desafio lançado aos estudantes para abrir nossas mentes ao que acontece fora dos muros da instituição em que estamos matriculados, para tentar entender as diversas lógicas que compõem a cultura brasileira e que por vezes são apagadas em discursos de unidade cultural e identitária. O seminário nasceu como um “puxadinho” de uma disciplina mais intensa da graduação, a de “Artes e Ofícios dos Saberes Tradicionais”. Tanto a disciplina da pós quanto a da graduação seriam interdisciplinares e abertas a estudantes das áreas de Antropologia, Artes, Música, Educação e Comunicação.

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Dona Tiana e Seu Badú, mestres quilombolas do interior de Minas Gerais, acompanhados de lideranças políticas dos quilombolas no estado

O convite também foi um desafio a deixarmos que esses mestres se expressassem o máximo possível, sem que eles se sentissem diminuídos por entre os corredores da UFMG, mas que percebessem em sala de aula como tinham a contribuir para a nossa formação intelectual. Os mestres foram escolhidos a partir de seu protagonismo em matrizes afrodescendentes e indígenas. Foi preciso pensar e problematizar, a partir de suas falas, as relações e os embates entre o conhecimento acadêmico e o conhecimento popular com seus saberes, sua tradições, suas cosmologias.

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A disciplina está sendo encerrada neste mês de maio, mas o impacto na comunidade acadêmica tem se mostrado fascinante. Também é grande a vontade de continuar desenvolvendo atividades que integrem conhecimentos formais e informais na academia, tanto por parte de professores que a idealizaram quanto por parte dos alunos.

A partir da próxima semana começaremos a publicar todos os sábados uma série de seis textos sobre o Seminário “Encontro de Saberes e as experiências com diversos mestres populares”. Não perca!

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