Violência e informação

10 de março de 2014 Processocom

Lívia Saggin

A eminente violência nos protestos de rua, desencadeados em junho do ano passado, gerou uma série de debates a respeito da segurança dos profissionais de mídia que trabalham na cobertura desses eventos. O principal fato motivador de tal preocupação foi a morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, atingido por um rojão lançado por um manifestante, no dia 6 de fevereiro, no Rio de Janeiro. A morte de Santiago mobilizou diversas entidades ligadas aos meios de comunicação e aos seus profissionais.

Há pouco mais de três meses da Copa, um dos maiores eventos esportivos já realizados no país, é evidente que as condições de segurança oferecidas pelo poder público a manifestantes, policiais, mídia e à população que terá que conviver com os protestos que certamente ocorrerão, são mínimas. Os desafios entre manter um evento de grande porte sob proteção, gerenciar grandes massas de pessoas mobilizadas e ainda, evitar e coibir atos de violência não parecem estar perto de ser superados, dadas as imagens de brutalidade policial, marginalização de alguns manifestantes e mais recentemente, a lamentável morte de Santiago.

O governo federal acaba de comunicar a criação de um grupo de trabalho para estabelecer procedimentos padrões de segurança na cobertura jornalísticas dos eventos de rua. O grupo, formado por representantes do Ministério da Justiça, Secretaria Nacional de Segurança Pública, Inteligência e Força Nacional de Segurança, pretende definir estratégias e locais de segurança para profissionais de mídia.  Além disso, um curso piloto será oferecido aos profissionais do setor pela Academia da Força Nacional, em Brasília. A elaboração de uma cartilha contendo dicas de segurança também está nos planos do Ministério da Justiça.

A proteção e instrução dos profissionais que trabalham na cobertura jornalística desse tipo de acontecimento é inegavelmente necessária, uma vez que, sem informação, existe a direta supressão da democracia, irrigada diretamente pela prática jornalística. O ataque a meios de comunicação, seus equipamentos e profissionais deve ser repreendido veementemente pelo poder público e pela população. Deve existir, no entanto, a percepção de que possibilitar o estudo e oferecer tal capacitação para uma classe acaba por privilegiar apenas uma parcela das multifacetadas classes formadoras de uma manifestação de grande porte, como as que acompanhamos (e, alguns de nós, participamos), no ano passado. Mais do que defender ou desmerecer a iniciativa do governo federal e das entidades que representam os profissionais de mídia, cabe a nós, enquanto população, pensar e transformar nossos atos cívicos em verdadeiros transformadores da realidade na qual vivemos.

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#copa#jornalismo#manifestações

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