Ciências COM Fronteiras

5 de outubro de 2013 Processocom

Tamires Coêlho

O site “Petições da Comunidade”, da Avaaz – uma organização com finalidade de mobilização virtual – tem ofertado ferramentas para que os internautas criem demandas, por meio de petições, e votem em projetos/ideias que deveriam ser priorizados pelo governo e por instituições públicas. Recentemente o site passou a recolher assinaturas online tendo como objetivo liberar verba governamental para os cursos de Ciências Humanas no projeto Ciências sem Fronteiras. Se aprovada, a petição pode viabilizar bolsas de estudo para estudantes das áreas englobadas pela categoria de “Humanidades” e possibilitará o ingresso de graduandos, pós-graduandos e pós-doutorandos brasileiros em universidades de todo o mundo, em período parcial ou integral.

Essa petição atende a uma reivindicação que muitos pesquisadores e professores têm feito, sobretudo no último ano. Milhares de estudantes já foram contemplados com bolsas de estudo pelo programa Ciências sem Fronteiras, mas ele beneficia algumas áreas e negligencia outras, como se só algumas áreas e disciplinas do conhecimento fossem de fato relevantes para produção científica.

A petição cita que, no ano passado (2012), a Justiça brasileira determinou que mais de 20 cursos de Ciências Humanas e de Biológicas fossem inclusos no projeto do governo federal. No entanto, “no dia 15 de Janeiro de 2013, o TRF (Tribunal Regional Federal) suspendeu a liminar, excluindo novamente os mais de 20 cursos do programa. Com a decisão, o Projeto governamental que concede bolsas de estudo no exterior a alunos de Graduação, Doutorado e Pós-Doutorado, não privilegiará cursos como Letras, Jornalismo, Publicidade e Enfermagem (entre outros)”. Enquanto o MEC (Ministério da Educação) argumenta que o programa é voltado apenas para áreas de ciências exatas, biológicas e tecnológicas, as outras áreas, disciplinas e campos não contemplados sofrem com o menosprezo de seus esforços científicos.

Afinal, fazer ciência é sinônimo de experimentar reações com partículas, de produzir fármacos, de construir novos aparelhos computadorizados? Ou o conceito de ciência está bastante equivocado no mundo – já que outros países valorizam tanto as ciências humanas e sociais – ou o MEC precisa rever urgentemente seus (pré)conceitos. Estamos convencidos de que a segunda opção é a mais acertada. Fazer ciência é fazer experimentos em um laboratório? Ou é alcançar um conhecimento tendo base em teorias, conhecimento empírico, em métodos confiáveis e bem definidos, baseando-se na ética do pesquisador?

O incentivo à ciência não pode ser limitado a uma ou duas áreas. Ciências humanas são tão importantes para o desenvolvimento da humanidade quanto outras ciências. Negar isso é negar a própria história do que hoje denominamos como “ciência”.

Não é à toa que a educação no Brasil ainda ocupa posições vergonhosas no ranking mundial: com um pensamento educacional pequeno e limitado, não é possível avançar e desenvolver nossos estudantes para a prática científica. O ensino básico ainda não conta com estímulo para que os alunos façam pesquisa. A universidade ainda é vista por muitos como um lugar onde é produzido conhecimento pré-moldado e baseado em previsibilidades. Pouco se é aprofundado sobre metodologia e as diversas possibilidades de alcance ao conhecimento científico.

Enquanto o governo não sabe explicar o que é ciência, a petição a favor do desenvolvimento e da internacionalização das pesquisas em ciências humanas já obteve mais de 40 mil assinaturas. Quem sabe os pesquisadores de questões relativas à humanidade possam estudar, em breve, em lugares que já reconheçam sua importância?!

Se você quer assinar a petição, clique aqui.

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