Como não fazer um artigo acadêmico

12 de setembro de 2013 Processocom

Um erro muito comum encontrado em textos pretensamente acadêmicos é a falta de diálogo entre teoria e objeto de estudo. Ora, relatar um fenômeno da realidade ou estudo de caso, incluindo uma ou outra citação de autores no meio, não é fazer um artigo acadêmico.
Quando se relatam as etapas de uma pesquisa de campo, ou seja, quando a ênfase é na descrição dos fenômenos, corre-se o risco de se elaborar um “relatório”. Já quando são incluídas diversas citações de terceiros, no cansativo modelo “Fulano diz isso, Beltrano diz aquilo”, pode-se transformar o texto em ficha de leitura. É preciso equilíbrio entre os dois momentos.

Créditos: Morgue File

Não basta intercalar pesquisa teórica/bibliográfica com etapas de campo. É preciso relacionar uma parte com a outra. As referências não são utilizadas apenas para mostrar que o autor do texto leu sobre o assunto. Se uma citação aparece, é porque o conceito ou ideia apresentada pela fonte, de alguma maneira, contribui para a explicação do fenômeno pesquisado.
Ao mesmo tempo, a realidade pode se mostrar mais complexa. Logo, as teorias existentes até o momento podem não ser suficientes para compreender o objeto em suas diferentes dimensões. Os conceitos teóricos têm que ser confrontados com a realidade, pois são justamente os fenômenos da realidade, quando observados sistematicamente, que dão base para se produzir novas teorias. Isso contribui para o avanço do campo científico.
Portanto, ao se elaborar um artigo acadêmico, é preciso um trabalho profundo de reflexão. Devem-se buscar referências diversas, compreender o que cada autor procurou dizer, confrontar essas ideias e relacioná-las com o objeto empírico observado. Depois disso, é importante mostrar as inferências às quais se chegou. Sem esse processo, não se produz conhecimento, apenas se reproduz o que já foi dito.
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