Reflexões sobre a comunicação a partir do sistema EaD no Sertão Piauiense

26 de agosto de 2013 Processocom

Tamires Coêlho

Os seminários promovidos pela Rede AmLat auxiliam na divulgação das pesquisas produzidas no âmbito da rede. No entanto, muito além da divulgação, existe um diálogo enriquecedor que envolve pesquisadores experientes, pós-graduandos, graduandos e objetos de relevância sociocultural. Os ouvintes saem dos seminários com uma bagagem informacional enorme e os pesquisadores-apresentadores deixam os eventos com novas ideias, novas perspectivas e com a certeza de que ainda há o que (des)construir em suas investigações.

Durante as apresentações do último dia do VII Seminário Internacional de Metodologias Transformadoras, uma das pesquisas que mais me chamou atenção foi “Comunicação e Educação: apropriações, interações e produções comunicacionais dos estudantes EaD no Semiárido piauiense”, de Lívia Fernanda Nery da Silva (UFPI/UNISINOS). No cenário piauiense, ainda há poucas investigações que relacionem os campos da comunicação e da educação, sobretudo no Sertão do estado, onde o acesso às cidades é difícil e onde não há infraestrutura satisfatória em nenhum desses campos.

Ao comparar alguns dados do IBGE sobre os estados do Piauí e do Rio Grande do Sul, Lívia da Silva mostrou que existe um verdadeiro abismo entre esses cenários quanto ao acesso dos indivíduos a bens comunicacionais. Outra característica que chama atenção é que a plataforma utilizada nos sistemas de Educação a Distância (EaD) pela UFPI (Universidade Federal do Piauí) é bastante defasada, se compararmos à realidade de outros estados – inclusive na própria região Nordeste.

Créditos: Alice Andrade – Agência FOTEC

A pesquisadora se propôs a analisar as apropriações, interações e produções digitais de estudantes da modalidade EaD e, para isso, se esforçou em descobrir quem são esses sujeitos que estudam via Educação a Distância na região do Semiárido piauiense e como essa nova forma de ensino e aprendizagem está sendo ressignificada. Ela acompanhou presencial e digitalmente as atividades dos alunos desde a fase exploratória e buscou aporte na transmetodologia.

Lívia da Silva concluiu que os discentes da região estudada ressignificam as noções de tempo e espaço durante a experiência com EaD e que eles superam dificuldades – até mesmo as que são inerentes à plataforma utilizadas no curso à distância –, utilizando as redes sociais para potencializar seu processo de aprendizagem. A pesquisadora, ao falar sobre seu processo de investigação, também mencionou as dificuldades que enfrentou para realizá-lo. Ela chegou a ministrar várias disciplinas – cada professor da EaD tem direito ao financiamento de uma viagem por disciplina ministrada – para conseguir viajar e acompanhar, em várias cidades do sertão piauiense, os contatos entre os sujeitos e os dispositivos estudados. Entre as cidades visitadas estavam Alegrete-PI e Simões-PI.

Talvez a contribuição mais importante dos seminários da última semana tenha sido a oportunidade de debater e confrontar perspectivas, de não apenas ter acesso aos resultados e conclusões das pesquisas, mas sobretudo às processualidades envolvidas no desenvolvimento das investigações. Afinal, uma pesquisa científica é também construída e desenhada a partir de dificuldades e limitações, de desconstruções e de superação.

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