Confira o resumo da manhã do segundo dia do VII Seminário Internacional de Metodologias Transformadoras da Rede AmLat

23 de agosto de 2013 Processocom

Paulo Júnior Melo da Luz
Vitória Brito Santos
Maytê Ramos Pires
Tamires Coêlho

O segundo dia do VII Seminário Internacional de Metodologias Transformadoras da Rede AmLat começou com as apresentações de quatro pesquisadores: Jiani Bonin, Nísia Martins, Juciano Lacerda e Helton Macedo.

Jiani Adriana Bonin, doutora em comunicação e professora do PPGCC da Unisinos, abordou “Questões Metodológicas em Pesquisas de Recepção Midiática”. Em sua fala, a pesquisadora suscitou a reflexão acerca do caráter das práticas e significações dos sujeitos e seus modos de pensar a partir do atravessamento das mídias e das perspectivas que não deixam de fora os contextos concretos em que esses processos midiáticos acontecem. Também ressaltou a necessidade de se pensar uma construção global de pesquisa, investindo em uma investigação teórica para um contexto de mudanças e novas dinâmicas. Outro ponto foram os desafios em desenhos metodológicos, extremamente fundamentais para o artesanato intelectual, no qual, ao ser desenvolvido, levanta questionamentos acerca das demandas de pesquisa, das construções desses desenhos metodológicos, da articulação com outros métodos e do pensamento de desenhos metodológicos em múltiplas dimensões.

Nísia Martins do Rosário, professora do PPGCOM da UFRGS, tratou do tema “A Cartografia e a Comunicação”. Instigando a pensar sobre a cartografia como metodologia para o desenvolvimento de trabalhos na área da Comunicação, a pesquisadora explicou que o mais importante da cartografia é servir de inspiração para as metodologias em pesquisa na comunicação. A ruptura que é feita no processo cartográfico causa uma desestabilização no pesquisador acostumado a métodos com princípios mais específicos e modulares, contrapondo as ciências positivistas e cartesianas. Funcionando como um mapa dinâmico, a cartografia inclui movimentos. O cartógrafo precisa imergir no universo a ser estudado, a fim de compreender o ambiente na sua complexidade e no seu movimento. A cartografia, como criação metodológica, não restringe a pensar só no objeto, mas na posição do pesquisador e no tensionamento que o levam à reflexão.

Professor do programa de pós-graduação em comunicação da URFN e coordenador do grupo Pragma, Juciano Lacerda apresentou “Reflexões sobre o uso de diários de campo na pesquisa em telecentros e lanhouses”. No trabalho, ele aborda a importância dos diários de campo para aprimorar as percepções de elementos importantes de pesquisa. No caso da investigação em telecentros e lanhouses, o ambiente tem relação direta com o modo de convivência e relacionamento das pessoas que os frequentam, assim, os diários funcionam para articular esses processos de observação e compreensão.

Finalizando as apresentações da primeira mesa da manhã, Helton Rubiano de Macedo (Pragma-EDUFRN-UFRN) falou sobre a “Narrativa de vida midiática: uma proposta metodológica”. O pesquisador tratou, tal como a professora Jiani Bonin, sobre a importância de olhar a pesquisa com uma perspectiva histórica. Na sua pesquisa, fez uso de entrevistas individuais em profundidade, para que assim conseguisse ter múltiplos olhares para contar a mesma coisa, formando uma perspectiva geral.

Iniciando os trabalhos da segunda mesa, Marcelo Bolshaw Gomes, (PPgEM-EFRN), discorreu sobre “A Transmidiatização da Política: a Convergência dos Campos e as Manifestações Populares de Junho de 2013”. Para ele, os meios de comunicação tiveram um papel muito importante tanto no abafamento quanto na omissão dos primeiros protestos. Ele considera que estamos entrando uma nova cultura política, na qual o comportamento coletivo da população será fortemente condicionado pelas redes digitais, em detrimento das organizações políticas tradicionais e da representação política institucional. Marcelo Gomes ressaltou que, em nenhum momento, os movimentos se trataram de derrubar o governo ou o parlamento e afirmou ainda que o caráter espontâneo, pluralista, apartidário e heterogêneo das manifestações deixou velhos analistas em estado de perplexidade, não conseguindo entender o que realmente se passou.

Marco Bonito (Processocom – Unisinos/Unipampa) apresentou o trabalho intitulado “Cidadania comunicativa digital para pessoas com deficiência visual”, explicando como se configuram as ações dos deficientes visuais na web do ponto de vista da acessibilidade e cidadania comunicacional. Para ele, estudar a história dos portadores de deficiência visual serve para eliminar as barreiras dos produtores de conteúdos, afinal, o design é importante para a forma como eles absorvem o conteúdo midiático. Os cenários do nosso cotidiano, segundo o pesquisador,  estão mais preocupados com a comercialização do que com a cidadania, ou seja, a cultura hegemônica de massa é produzida para e pelos videntes.

A professora Virgínia Sá Barreto (PPg Jornalismo – UFPB), na companhia de Amanda Falcão, Roberta Matias e Zuila Frutuoso, falou sobre “Processos, práticas e produtos telejornalísticos: construção de trilhas epistemológicas, teóricas e metodológicas”. A pesquisa problematiza o processo comunicativo jornalístico, com as injunções das lógicas e culturas televisivas e do ciberespaço, enfatizando as construções e desconstruções enfrentadas para abordar o universo complexo da convergência tecnológica e cultural entre TV e internet.

Finalizando as apresentações da manhã, Elson Faxina (Processocom-UFPR), trouxe à mesa “Um novo discurso e uma nova narrativa para a cidadania comunicativa”. Faxina tratou, em sua tese de doutorado, da institucionalidade da TV pública brasileira dentro da narrativa jornalística. O jornalista é desafiado a narrar com olhares diversificados, isto é, a lógica da TV pública não é a mesma da privada. Entretanto, em sua pesquisa, Faxina detecta que, infelizmente, a TV Brasil ainda não consegue oferecer outro olhar para a sociedade, sua narrativa é marcada pelo olhar do mercado.

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