A rede e o tsunami

12 de agosto de 2013 Processocom

Rafael Tourinho Raymundo

É comum dizer que algo popular na web se “viraliza”, ou seja, espalha-se como um vírus. No entanto, outra analogia possível é a do tsunami. O epicentro de muitos memes costuma ser o 4chan ou o Reddit. De lá, o conteúdo avança para outras redes, num crescimento exponencial.

Alguns fenômenos são tão intensos que afluem para a grande mídia: são referidos em reportagens, viram piada em programas de TV ou são copiados em peças publicitárias. Já outros não ocorrem com tanta força; restringem-se às mídias sociais, gerando alguma turbulência, mas desaparecendo em poucos dias.

Fonte: http://www.megpickard.com

Vinho Sinuelo e blogueira da Capricho: esses são exemplos de casos que tiveram certa repercussão na rede recentemente. Cada uma à sua maneira, essas histórias surgiram, foram comentadas, apropriadas, viraram piada, motivaram risos. E só, ao menos aparentemente. Duvido muito que esses casos sejam relembrados daqui a algumas semanas ou meses.

As interações online redefiniram as maneiras como criamos e consumimos cultura pop. Um fato é que o ciclo de vida dos fenômenos é bem mais curto. Tão curto que, às vezes, torna-se difícil dimensionar o real impacto que memes e conteúdos virais terão no longo prazo. Cabe perguntar – ou, aos interessados, pesquisar – de que maneira essas manifestações culturais podem ser registradas, rememoradas e trabalhadas para que se tornem um registro fidedigno dos tempos atuais.

Tudo é muito volátil. Numa acepção um tanto livre da “modernidade líquida” de Zigmunt Bauman, pode-se dizer que memória e cultura navegam (à deriva?) por um oceano de informações. Muitos fenômenos agitam essas águas – alguns viram grandes ondas, outros não passam de marolinhas. Resta à academia tomar o leme da embarcação, para que a maré não nos afogue.

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