Distinção: antes um reconhecimento do que uma honra

17 de dezembro de 2012 Processocom

Marcelo Ferreira

O trabalho de conclusão de curso é um período dramático na vida do estudante universitário. Dramático porque a monografia é um ensaio de vida de pesquisador, algo um tanto enigmático para os estudantes que passam semestres e anos buscando e encontrando as aulas um tanto quanto tecnicistas. Não quero entrar no mérito da qualidade dos cursos em si ou em que tipo de profissional as universidades estão formando. Volto à ideia central, de pensar minha experiência durante esta última etapa do curso de Jornalismo.

Acabo de finalizar minha monografia, de título “O vício do jornal diário: nuances da problemática das drogas ilícitas midiatizada nos jornais Zero Hora, Diário Gaúcho e Folha de São Paulo”. Já nos primeiros passos de sua realização, eu visualizava a complexidade e a dificuldade em abordar o tema, ainda mais sendo uma investigação de nível de graduação. Isso acabou me levando a pensar que a “distinção” não caberia ao caso. Confesso, inclusive, que o conceito não era um objetivo. Acabou acontecendo e, sim, foi gratificante.

Encaro a distinção como reconhecimento pelo esforço de meses de pesquisa, análises, teorias, conversas, poucas horas de sono e reduzidos momentos de diversão. A isso, soma-se o desafio da banca à qual passei, extremamente qualificada, trazendo diversas dúvidas, questionamentos e provocações. Entendo que o momento das respostas foi crucial para o bom fechamento do trabalho. De forma segura, respondi e expliquei aquilo que havia de forte no trabalho, da mesma forma que aceitei os pontos fracos e as sugestões dos professores.

Várias são as reflexões e aprendizados que posso extrair desse processo. A proposta de buscar um olhar de estranhamento sobre diversos aspectos conflitantes de uma problemática comunicacional e social complexa e envolvida em tabus procura pensar o fazer jornalístico. Não apenas divagações. Prática! A pesquisa é importante, não há dúvidas. Mas só existe porque existem os jornais, o mercado, as pessoas e os problemas.

Acredito que a cultura de pesquisa adquirida durante a experiência como bolsista de iniciação científica acabou me incutindo o espírito de cidadania científica. Sei que o TCC não exige o trabalho de inovação e densidade metodológica, muito menos epistemológica, como na pós-graduação. Porém, executar uma pesquisa séria e profunda, mesmo que de forma um tanto insegura, não deixa de ser um ótimo momento na carreira profissional, seja para pensar os problemas do fazer – aos que almejam uma redação ou uma assessoria de imprensa –, seja para pensar os problemas do pesquisar, atividade que abre perspectivas de conhecimento e profundas – aos que almejam um mestrado. Academia e mercado de trabalho andam juntas, cotidianamente, e ambas requerem responsabilidade.

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