Brasil deve ser neste ano a 6ª maior economia mundial

2 de dezembro de 2011 Processocom

IHU OnLine

30/10/2011

A crise dos países desenvolvidos ajudará o Brasil a ganhar posições com mais rapidez no ranking de maiores economias do mundo. Em 2011, o Produto Interno Bruto brasileiro medido em dólares deverá ultrapassar o do Reino Unido, segundo projeções do Fundo Monetário Internacional e das consultorias EIU (Economist Intelligence Unit) e BMI (Business Monitor International).

A reportagem é de Érica Fraga e publicada pelo jornal Folha de S. Paulo, 30-10-2011.

A estimativa mais recente, da EIU, prevê que o PIB do Brasil alcance US$ 2,44 trilhões, ante US$ 2,41 trilhões do PIB britânico. Com isso, o Brasil passará a ocupar a posição -inédita desde, pelo menos, 1980 – de sexta maior economia do mundo. Em 2010, ao deixar a Itália para trás, o país já havia alcançado o sétimo lugar.

Como a economia brasileira cresce em ritmo menor que a de outros emergentes asiáticos, em 2013, o país deverá perder a sexta posição para a Índia. Mas voltará a recuperá-la em 2014, ano da Copa do Mundo, ao ultrapassar a França, segundo a EIU.

Até o fim da década, o PIB brasileiro se tornará maior do que o de qualquer país europeu, de acordo com projeções da EIU. Depois de passar Reino Unido e França, a economia brasileira deverá deixar a alemã para trás em 2020.

“O fato de que a economia brasileira ultrapassa as de países desenvolvidos reflete os efeitos da entrada de grandes segmentos pobres da população na classe média”, afirma Robert Wood, analista sênior da EIU. Segundo Wood, isso ajuda a impulsionar o consumo doméstico.

A tendência de ascensão dos emergentes já era esperada por especialistas há anos, mas tem ganhado velocidade devido à crise global. Quando o banco Goldman Sachs inventou o acrônimo Brics (que se refere a Brasil, Rússia, Índia e China) em 2003, previa que a economia brasileira ultrapassaria a italiana por volta de 2025 e deixaria os PIBs francês e britânico para trás a partir de 2035.

Desde então, não só a expansão da economia brasileira ganhou fôlego – em grande medida, a reboque do apetite chinês por commodities – como também o crescimento de nações desenvolvidas afundou desde 2008.

Embora a EIU tenha reduzido recentemente as projeções de crescimento do Brasil para 3% e 3,5%, respectivamente, em 2011 e 2012, sua expectativa de expansão do Reino Unido é de apenas 0,7% em ambos os anos.

Segundo especialistas, a principal consequência para o Brasil de galgar lugares no ranking das maiores economias é consolidar uma posição de maior relevância no cenário político mundial.

“O Brasil tende a ganhar maior voz em fóruns internacionais, e é importante que se prepare de forma adequada para assumir esse papel”, afirma o economista Rogério Sobreira, da Ebape/FGV.

Renda per capita brasileira não acompanhará o avanço do país

A aproximação entre a renda brasileira e a de nações ricas ocorrerá em ritmo muito mais lento do que o avanço relativo do país em termos de tamanho da economia.

Robert Wood, da EIU (Economist Intelligence Unit), afirma que, por volta de 2030, a renda per capita -importante medida de riqueza e nível de desenvolvimento- do Brasil será o equivalente a pouco mais de um terço da norte-americana. Em 2010, quando o PIB per capita do Brasil atingiu US$ 10.945, essa relação era de 23%.

“Em termos de renda per capita, vai ser difícil para o Brasil escapar da ‘armadilha do país de renda média’ e se equiparar a países desenvolvidos, como conseguiu a Coreia do Sul”, diz Wood.

Richard Hamilton, chefe da área de análise de América Latina da BMI (Business Monitor International), concorda. Segundo ele, o Brasil precisa melhorar sua capacidade produtiva por meio de melhoras substanciais em áreas como infraestrutura e educação.

“Sem isso, o fato de o Brasil se tornar uma economia maior que a do Reino Unido, por exemplo, não terá grande importância.” Wood vê riscos de que a melhor posição do Brasil no ranking das maiores economias leve o governo a postergar reformas importantes para impulsionar a capacidade de crescer a longo prazo.

“O fato de que a economia brasileira está ascendendo no ranking global cria o risco de uma posição de triunfalismo que pode levar à inércia no que se refere a reformas”, diz o analista da EIU.

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