Começam as discussões metodológicas da Rede AmLat

17 de agosto de 2011 Processocom

O V Encontro de Metodologias Transformadoras da Rede AmLat começou às 8h30 da manhã desta terça-feira, 16, no Centro 5, sala 311, na Unisinos. As atividades iniciaram com o relato dos professores de cada um dos sete Grupos de Pesquisa (PROCESSOCOM, CEA, CEPAP, FACSO, DECOM, NECOM, PRAGMA), destacando as contribuições e experiências da Rede.

A abertura do evento foi realizada pelo professor Alberto Efendy Maldonado, que assinalou a importância do projeto AmLat e a multiplicidade de intercâmbios produzidos por essa cooperação acadêmica. Na continuidade, Efendy apresentou sua fala sobre “A formação epistemológica em pesquisas críticas transformadoras na América Latina: a experiência no grupo de investigação PROCESSOCOM”, apontando configurações fundamentais à pesquisa, como a investigação exploratória, a epistemologia, o método e as processualidades.

O debate trouxe a importância de entradas no campo, de conhecer e experimentar as realidades, pensar os métodos em relação com os processos. A professora Maria Elisa Máximo afirmou a necessidade de inserir os alunos na iniciação científica e compartilhou a experiência de apresentar aos estudantes os textos dos professores Jiani e Efendy, buscando pensar a metodologia para além do método.

O professor Adrian Padilla Fernández, da Venezuela, falou sobre a experiência inovadora de desenvolvimento do projeto de Mestrado em Educomunicação, no Centro de Experimentación para el Aprendizaje Permanente. A proposta enxerga a comunicação para além da tecnologia, assumindo as dimensões do campo epistemológico. A apresentação “Proceso de diseño de la maestría en educomunicación del CEPAP (Parte 1)” assinalou também a presença de uma discussão nacional na Venezuela sobre políticas públicas de educação, apontando perspectivas transformadoras.

Após o momento de descontração do intervalo, os participantes retornaram ainda mais entusiasmados para assistir à explicitação de Alberto Pereira Valarezo. O professor da FACSO, na Universidad Central del Equador, abordou a “Comunicación no Verbal: un estúdio necessário”. No espaço para o debate, a professora Nísia, do PROCESSOCOM, comentou sobre aproximações entre a fala de Alberto e sua apresentação, na manhã de quinta-feira, 17.  Ainda, indagou acerca da pesquisa sobre o não verbal, o corpo, o gestual fora do âmbito midiático e sobre o modo como é essa realidade de investigação no Equador.

Primeiro dia do V Encontro de Metodologias Transformadoras da Rede AmLat

O período de almoço serviu para aproximar ainda mais os participantes, que retornaram para as atividades da tarde, às 14h. A pesquisadora Susana Morales (CEA-UNC) trouxe sua investigação sobre as políticas de comunicação e a relação com os direitos humanos e a segurança pública. A professora afirmou que o tema da segurança importa a todos os países da América Latina e apontou a problemática de criminalização dos movimentos. Durante as reflexões, o professor Juciano apontou alguns modos como a mídia brasileira tem trabalhado a questão da violência a partir de uma agenda de insegurança. E o professor Efendy referiu que o modo clássico de abordar essas questões é através de maniqueísmos e sensacionalismos.

Na sequência, o professor Juciano de Sousa Lacerda, da UFRN (Grupo PRAGMA), abordou “Pesquisa da Pesquisa sobre usos e apropriações em investigações sobre TICs entre 2006 e 2010 na área da comunicação no Brasil”. A pesquisa considera teses, dissertações e revistas qualificadas pelo sistema, buscando analisar o modo como aparecem os conceitos de usos e apropriações. O pesquisador relatou casos em que um conceito é confundido com o outro e trabalhos que apenas reproduzem os termos. Nesse sentido, os professores assinalaram que muitas vezes as pesquisas não trazem conceitos, apenas operadores semânticos.

A professora Ivanova Nieto (UCE) finalizou os trabalhos da tarde com a elucidação sobre “La radio universitaria: un derecho social”. Relatando a experiência na Universidad Central del Equador, Ivanova explicita o desafio de construir uma rádio comunitária com enfoque cidadão. A pesquisadora aponta os problemas enfrentados para ter uma rádio universitária em Quito, principalmente pelo contexto de pressões do mercado e da política. A temática abordada mantém relação com o conceito de cidadania comunicativa.

O primeiro dia de atividades foi marcado por intensos debates e contribuições, garantindo o sucesso do Encontro. As apresentações e comentários certamente serviram de estímulo para as pesquisas de cada professor. Finalizado esse momento, os pesquisadores seguem na expectativa pela continuidade dos eventos da Rede AmLat, na quarta-feira, 17.

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