Relatório pessoal da banca de qualificação

12 de agosto de 2011 Processocom

Por Franciele Zarpelon Corrêa

O momento da qualificação de uma pesquisa é sem dúvida único e especial, sobretudo, porque é a oportunidade que se tem de compartilhar um pouco de todo um trabalho que é desenvolvido e também, das angústias e alegrias que ocorrem dentro de um processo que constitui pesquisa científica/social e pesquisador(a). Isso quer dizer, como bem acentuou a professora Nísia que a pesquisa não nasce pronta, mas sim sofre muitas idas e vindas, e por assim ser, também se vincula com variadas transformações de concretização investigativa.

Nesse cenário está a minha pesquisa, que busca compreender como se configuram os processos de produção radiofônica no projeto Alunos em Rede – Mídias Escolares, a partir de um olhar focado na construção de saberes, competências e cidadania no âmbito da comunicação e da cultura. Portanto, vale considerar que este objeto de pesquisa atual, proveniente do espaço porto-alegrense foi concebido num processo anterior, a partir de experiências de rádio-escola de Joaçaba (SC), que se mostraram pouco produtivas no decorrer da caminhada de realização da pesquisa.

Mas, retomando: e a banca de qualificação? Contou com a presença da minha orientadora Jiani Adriana Bonin, Alberto Efendy Maldonado e Nísia Martíns do Rosário. Em síntese posso dizer que foi no mínimo consistente, tranquila e reveladora. Sempre num clima de diálogo, troca de experiências, sugestões, reflexões, inquietações, e até mesmo provocações. Afinal, é preciso também mover o ser “pesquisador”, para que assim, novas possibilidades sejam instigadas, pensadas e construídas.

Nessa dinâmica, contribuições importantes da banca que avaliou a pesquisa vieram refletir sobre o processo já realizado, assim como trazer perspectivas para a sua continuidade. Em referência ao que já desenvolvi neste processo investigativo, a professora Nísia chamou atenção a um aspecto configurador da pesquisa, que tem em si sua maior consistência, ou seja, a discussão sobre o tema, logo: comunicação, educação e cidadania. É assim, a partir dessa perspectiva temática, que se revela uma das maiores potencialidades desta pesquisa, isto é, a dimensão da relevância social. Em sua ótica, questionamentos não podiam faltar: Quem disse que o meio tem que produzir para educar? Será que a comunicação não estaria fazendo um papel de educadora, papel esse que não é seu por natureza? De quem é esse papel?

O professor Efendy, por sua vez, fala da expectativa que o trabalho gerou, visto que ainda não tinha referências mais concretas sobre a pesquisa. Inicialmente visualizou a leitura como um desafio, mas no decorrer do processo avalia a pesquisa como muito interessante. Como não poderia deixar de ser, suas intervenções e o debate que propõe gera, ou ainda, retoma inquietações que tive enquanto pesquisadora sobre a riqueza desta pesquisa, com nuances que podem ser ressaltadas e outras que precisam ser pensadas. Nesta medida, instiga que eu pense de forma especial a realidade comunicacional do “AlemRede”, pois como avalia que professores(as) conhecem o discurso político e sabem de sua importância, mas ficam entusiasmados para aprender o comunicacional.

De uma forma geral, Efendy numa longa discussão parabeniza a o trabalho de pesquisa realizado “O estilo como tu te apropriou e foi problematizando as ideias e mostrava os movimentos, esse jogo dos conceitos, parabéns. Tu explicitas, vai para o concreto e faz um vinculo entre objeto e teoria, teus argumentos são claros”. Mas, também chama atenção quanto a socialização do trabalho que precisa ser realizada e, assim como a professora Nísia, traz inquietações que me mobilizam a pensar sobre: o que eu faço por esses alunos(as) enquanto pesquisadora? Pertinente questão, que deveria inclusive ser repensada em demais projetos de pesquisas existentes, num tom de avaliar o compromisso que cada pesquisador(a) tem com aquilo que se propõe a investigar.

Por fim, a banca de qualificação contou com a presença querida das “colegas históricas”, expressão essa um tanto humorística de Efendy ao lembrar de, Rafaela Barbosa e Karla Caroline Nery de Souza, que acompanharam minha caminhada antes mesmo de passar no processo seletivo para o Mestrado em Comunicação da Unisinos, ainda enquanto aluna especial. Logo, também com nossa colega do grupo Processocom Lisiane Aguiar que fez a cobertura desse momento para assim, realizar um posterior relato de divulgação neste blog para o qual escrevo.

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