Internet é “quinto Estado” e ajuda a fiscalizar governos, diz professor

11 de agosto de 2011 Processocom

Em uma entrevista a “Der Spiegel”, William Dutton, do Instituto da Internet da Universidade de Oxford, fala sobre como a World Wide Web modificou fundamentalmente as nossas vidas desde a sua criação, 20 anos atrás, e expõe as suas ideias a respeito de como ela ajuda comunidades a se organizar e sobre o surgimento de um “Quinto Estado”, que contribuiu para a fiscalização de governos e da mídia de todo o mundo.

A entrevista é de Manfred Dworschak e reproduzida pelo Portal Uol, 06-08-2011.

Eis a entrevista.

Professor Dutton, você se recorda do que estava fazendo no dia 6 de agosto de 1991?

Não tenho a menor ideia. É muito interessante o fato de a invenção da World Wide Web não ter tido,
naquele momento exato, um impacto extraordinário. Sem dúvida não foi nada semelhante ao assassinato de Kennedy.

Naquele dia 6 de agosto, Tim Berners-Lee, o criador da World Wide Web, tornou a sua invenção acessível à comunidade da Internet. Ele fez isso em um fórum de discussão chamado alt.hypertext…

… e provavelmente nem mesmo Barners-Lee previu o alastramento viral da novidade por ele criada.

O fórum ainda existe hoje em dia, 20 anos depois. Atualmente ele é um local deserto e sinistro que faz propagandas de óculos de sol baratos e de uma “mulher louca e sensual”. Seria este um sinal dos tempos?

Na Internet, as pessoas estão sempre se mudando para o próximo site atraente. E ainda é muito difícil prever para onde exatamente irão se mudar essas pessoas.

Quando foi que ficou claro para você que algo realmente grande estava prestes a surgir?

Bom, a princípio nada indicava tal coisa. Eu já vinha escrevendo e-mails desde meados da década de setenta, usando a Arpanet, a precursora da Internet. Mas, durante vários anos, a Internet foi apenas uma ferramenta para cientistas de computação e acadêmicos – mesmo em 1991, eu ficava frustrado com a dificuldade em convencer outras pessoas dos benefícios da Internet. A Internet era complicada e, visualmente, não era nada atraente. As pessoas achavam que a Web era algo como os rádios de faixa do cidadão (CB). Naquela época os “bulletin boards” eram bem mais populares, porque já contavam com interfaces para o usuário coloridas e mais gráficas. A revolução ocorreu com os primeiros navegadores gráficos para a Web, o Mosaic e, mais tarde, o Netscape. Naquele momento, eu percebi que esse seria um meio de comunicação de massas. De repente, todos à minha volta estavam aprendendo HTML e criando os seus próprios websites.

Olhando para o passado, você acha que a Web está atendendo às expectativas?

Mais do que isso, ela na verdade superou tudo o que se poderia ter imaginado. Atualmente, um terço da população do Reino Unido considera a Internet essencial para as suas necessidades de informação na vida cotidiana e no trabalho, sendo mais essencial até do que a imprensa ou a televisão.

O Instituto da Internet da Universidade de Oxford, que você dirige, investiga a influência da Internet sobre a sociedade, a política e a vida cotidiana – e frequentemente chega resultados impressionantes como, por exemplo, no que se refere ao setor de namoro online.

Sim. Nós estudamos a maneira como vários casais se encontraram por meio da Internet, especialmente a partir do ano 2000, e o fenômeno das redes sociais. A percentagem está aumentando, e ela é mais elevada na Alemanha, onde quase um dentre cada três casais com acesso à Internet que se conheceu depois de 2000 fez esse contato online – em uma rede social, uma sala de bate papo ou com o auxílio de uma agência online.

Isso é de fato surpreendente…

… especialmente se levarmos em conta que a Internet era geralmente considerada um local onde apenas indivíduos da área de computação procurariam relacionamentos – isso para não mencionar todo esse pânico em relação às pessoas perigosas que estariam à espreita no ciberespaço. Mas, com o passar do tempo, a Internet passou aparentemente a ser aceita como um novo canal para se procurar por alguém que, de outra forma, poderia não ser encontrado. Foi um fenômeno no qual as pessoas experimentaram primeiro, antes de se deixarem convencer. É por isso que eu chamo a Internet de uma “tecnologia de experiência”.

A grande oferta afetaria também a forma como as pessoas escolhem parceiros?

Sim, os casais que se conhecem online apresentam maior diversidade – como por exemplo maiores diferenças de idade e de nível educacional – do que aqueles que se conhecem offline. E as pessoas da classe trabalhadora estão mais interessadas em procurar relacionamentos online do que os indivíduos de maior status socioeconômico. Elas desejam frequentemente ampliar os seus horizontes, sair do bairro em que moram e do local em que trabalham.

Se esses casais estão apresentando uma maior diversidade, o que é que eles têm em comum?

A Internet funciona bem quando se trata de conectar pessoas que têm interesses similares. Muitos serviços de relacionamento prometem emparelhar casais segundo os interesses, e outros segundo as personalidades. Existe até um site de namoro e relacionamento para o circuito gótico.

Então a juventude online está aprendendo agora a paquerar em frente a uma tela de computador?

Não. Os jovens não estão conscientemente interessados em encontrar parceiros por meio da Internet. A maioria deles ainda possui as suas redes sociais na vida real. Essa busca de relacionamentos online é algo mais típico dos indivíduos com mais de 40 anos de idade, que já passaram por um ou dois casamentos. Se eu encorajar as minhas duas filhas a experimentar um site de relacionamento online elas acharão a ideia ridícula.

A oferta de potenciais parceiros é praticamente inesgotável. Isso não tornaria as pessoas mais seletivas?

Eu creio que sim. Nós encontramos evidências disso. Mas as agências fazem um bom trabalho no sentido de manter essa questão administrável. Por exemplo, algumas delas oferecem primeiro ao cliente três excelentes perfis de potenciais parceiros compatíveis. Esse papel exercido por um ator intermediário poderá se tornar comum em diversas áreas nas quais as pessoas estejam saturadas de um excesso de opções e de desconfiança – o setor de compras, por exemplo. Entretanto, a Internet é útil quando se trata de fazer seleções em meio a esse dilúvio de informações – por meio de sites de busca, ao permitir que as pessoas se concentrem nos sites mais bem avaliados, ou nos sites recomendados pelos amigos.

Atualmente, os relacionamentos estariam constantemente sob ameaça porque sempre poderia haver um parceiro potencial melhor aguardando pelo indivíduo na Internet?

Sim, eles estão de fato constantemente sob ameaça. Existem alguns casos famosos de mulheres que conheceram os seus parceiros online e que se divorciaram após terem pego o marido em flagrante paquerando com uma outra mulher na Internet. Isso acontece também na vida real. Mas na Internet as coisas são tão transparentes que chegam a ser exageradas – como por exemplo no que diz respeito aos perigos do vício em Internet ou em jogos de azar online. É esse tipo de pânico moral que me preocupa.

Agora você está exagerando.

Não, não estou. Quando se trata dos riscos da Internet, a nossa sociedade demonstra uma tendência de reagir desproporcionalmente. Basta pensar nas preocupações quanto ao uso da Internet pelas crianças. A Internet é de fato uma grande tecnologia para o aprendizado informal, para tudo no qual a criança possa estar interessada. De vez em quando, talvez uma vez por ano, surge uma notícia sobre alguém que foi sequestrado ou que sofreu outra forma de violência, o que é, obviamente, terrível. As pessoas dizem com frequência que a Web é como uma piscina – na qual são necessários mecanismos de segurança e diretrizes. Mas as piscinas são muito mais perigosas do que a Internet. O pânico não resolve o problema e muitas vezes faz com que sejam adotados remédios ineficazes.

A Internet não gera apenas temores; ela também provoca entusiasmo – especialmente no que se refere ao potencial político para as pessoas que vivem sob regimes autoritários.

A Internet indubitavelmente desempenhou um papel importante na Primavera Árabe. Um funcionário do Google egípcio simplesmente criou uma página no Facebook, por ele administrada, que uniu várias pessoas que estavam preocupadas com a liderança política do país. Isso é típico: um indivíduo, quase que sem premeditação, usa uma infraestrutura que está disponível para quase todo mundo. E com o Twitter a facilidade é a mesma. Agora, é claro que muitos regimes se sentem ameaçados, e eles estão procurando dispositivos para censurar esses canais.

Os críticos afirmam que a rebelião apoiada pelo Twitter foi apenas uma jogada sensacionalista feita para a mídia. Estes críticos argumentam que a resistência real não está sendo feita por pessoas sentadas em frente a computadores ou digitando mensagens em telefones celulares.

Pelo menos as pessoas podem descobrir quando estão online que existem outras que veem as coisas de forma similar. E, a mídia de massas, que dissemina todas essas mensagens de Twitter, pode contribuir para intensificar esse processo. É claro que há também certas coisas na Internet que não funcionam bem, como por exemplo, a sustentação de um movimento político por um longo prazo.

Então, trata-se mais de um meio para fazer com que as coisas aconteçam?

Sim. Podemos constatar isso, por exemplo, no escândalo em torno do “News of the World”, de Rupert Murdoch – algo totalmente chocante. Durante anos houve boatos de que pessoas estariam invadindo caixas de mensagem de voz particulares, mas ninguém havia investigado seriamente tais boatos. A mídia acabou ficando muito emaranhada com os políticos. A seguir, surgiu a notícia de que algo desse tipo havia sido feito com Milly Dowler, a estudante sequestrada que foi mais tarde encontrada assassinada. E sabe o que foi que transformou esse caso, quase que da noite para o dia, em um dos maiores escândalos políticos do Reino Unido? Foi a Mumsnet.com, uma rede que foi originalmente criada para auxiliar os pais nas tarefas da vida cotidiana. Subitamente, vários pais manifestaram indignação no site, e os participantes ficaram tão escandalizados que lançaram espontaneamente uma campanha que dizia basicamente: Basta!

Esse portal foi realmente crucial para que o escândalo aumentasse de tamanho?

Creio que sim. Isso demonstra muito bem que a infraestrutura por meio da qual as pessoas se organizam já existe. Ela pode ter sido criada para algo totalmente diferente – para auxiliar na criação dos filhos, para entretenimento, para comunicação com os amigos –, mas isso não importa. Qualquer infraestrutura pode ter o seu propósito modificado quase que instantaneamente. Até mesmo clubes de futebol e equipes de rugby estão hoje em dia organizadas na Internet. O bairro no qual eu moro possui o seu próprio blog, um website e uma lista de e-mails. Praticamente em todos os lugares existem grupos potencialmente políticos, que surgem quando ocorre algo que desagrada às pessoas. O que está surgindo é aquilo que eu chamo de o “Quinto Estado”. Indivíduos ligados em rede podem fiscalizar as instituições estabelecidas – o governo, mas também a mídia – a qualquer momento. Neste sentido, a Internet torna a sociedade mais pluralista e democrática.

Ao alimentar movimentos de protesto de curta duração e impulsivos?

Basta ver um outro exemplo, o site de defesa da sociedade civil MoveOn.org, nos Estados Unidos, lançado por duas pessoas. No início tratava-se simplesmente de um grupo de pessoas que se opunham ao iminente impeachment do então presidente Bill Clinton. Mas, no decorrer dos anos, aquilo transformou-se em uma organização vinculada a todos os tipos de iniciativas progressistas.

Muitos dizem que a Internet possibilita uma nova forma de democracia, com os cidadãos diretamente envolvidos no processo de tomada de decisões políticas. Isso seria verdade?

No nível local, sim, especialmente quando as pessoas ficam contrariadas com algo. Aqui no Reino Unido, houve uma iniciativa no sentido de cortar verbas locais, e as bibliotecas públicas seriam um dos setores prejudicados. Isso fez com que grupos de apoiadores se reunissem em torno das bibliotecas locais, e eles se conectaram a outros grupos através da Internet. O movimento “Salve as Nossas Bibliotecas” teve bastante sucesso. Mas, de forma geral, a Internet como um meio para a democracia direta tem uma utilidade limitada. Eu creio que nós termos que nos afastar daquelas visões utópicas de que no futuro haverá pessoas se autogovernando a partir dos seus sofás. A Internet não criará uma democracia plebiscitária, porque a maioria das pessoas não está interessada em política.

No entanto, segundo o seu ponto de vista, a Internet modifica a democracia?

É claro. Porque indivíduos conectados em rede estão se transformando em uma fonte independente de fiscalização social e política – um Quinto Estado. Por exemplo, isso pode influenciar a agenda política. Todo primeiro-ministro e toda câmara municipal sabem que as pessoas farão comentários online sobre aquilo que eles fazem. A população tornou-se um poder independente, independente até mesmo da imprensa. É um poder que tem milhares de olhos, e que é capaz de organizar-se rapidamente em torno de questões, dentro de dias ou horas, caso necessário. Isso não exige uma atenção constante.

Mas a forma mais popular de expressão de opinião na Internet é clicar o botão “Like” (“Gostei”) no Facebook. Não seria esta uma forma demasiadamente tosca de participação política?

Acontece que o fato de o custo da participação ser muito baixo é uma vantagem das organizações em rede. Pressionar um botão não se constitui em uma atividade complexa, mas quando milhares, ou mesmo milhões, de pessoas clicam…

… nesse caso milhões de pessoas terão simplesmente feito algo que não lhes custou nada. Isso não acabaria gerando desapontamento quando as pessoas descobrem que a política não pode ser controlada remotamente com um mouse?

Segundo tal lógica, ninguém votaria, porque votar é algo totalmente irracional. A probabilidade de que eu venha a fazer qualquer diferença com o meu voto é quase zero. As pessoas votam porque esse é um dever do cidadão, um ato democrático importante. E, da mesma forma, votar é muito fácil. Muitas atividades online são mais significativas e potencialmente mais eficientes.

Um problema bastante entediante no que se refere à política na Internet é a qualidade do debate. As coisas se tornam caóticas quando uma quantidade muito grande e participantes entra em uma conversação. Você tem alguma ideia de como essa situação poderia ser melhorada?

É verdade que há pessoas que dizem coisas estúpidas, e grupos pequenos podem acabar dominando o debate, da mesma forma que ocorre na vida real. Isso é normal. A Internet não é um meio apropriado para que se descubra qual é a opinião pública em relação a questões importantes. Ela simplesmente não é um meio para consulta governamental. Mas ela é ideal para que as pessoas se organizem rapidamente tão logo fiquem contrariadas ou preocupadas com algo.

Mas muitos debates são prejudicados pelo fato de participantes anônimos poderem agir de forma ofensiva sem que tenham que temer quaisquer consequências. Não seria melhor se todo mundo tivesse que revelar a sua verdadeira identidade?

Aparentemente sim, mas na verdade isso não ajudaria muito. Em um estudo sobre uma prefeitura eletrônica, nós descobrimos que as pessoas que eram obrigadas a declarar o nome completo não se comportavam de maneira muito diferente. Elas também acabaram se empolgando e utilizando ataques pessoais e insultos. Exigir que as pessoas usem os seus nomes reais não modera o comportamento delas tanto quanto seria de se esperar.

Existe um debate em andamento na Internet no sentido de determinar se os usuários deveriam contar de fato com o direito ao anonimato. As pessoas que se inscrevem no Google+, por exemplo, precisam fornecer os seus nomes reais. Políticos já estão pedindo uma proibição geral de pseudônimos.

Isso seria desastroso. O direito ao anonimato é vital para a liberdade de expressão na Internet. Caso contrário as pessoas sempre temeriam vinganças. Tudo o que elas dissessem poderia um dia ressurgir para assombrá-las. A Internet simplesmente não esquece. Imagine alguém que procura um conselho em um fórum de discussão sobre a Aids. Ninguém tem que saber o nome real dessa pessoa, e certamente não o patrão para o qual ela estiver trabalhando dez anos após ter redigido a mensagem.

Sendo assim, nós temos simplesmente que nos conformar com o fato de que criminosos e demagogos gozam também da proteção conferida pelo anonimato?

Faz sentido falar de duas camadas distintas relativas à determinação da identidade de alguém. É claro que eu tenho que me identificar para fazer uma operação bancária online. E, em uma rede social, eu deveria ser capaz de ter a certeza de que uma pessoa que alega ser o meu velho amigo de escola etá dizendo a verdade. Mas é preciso que se conte com a opção do anonimato para o engajamento em uma discussão política, ou quando o indivíduo deseja denunciar abusos. Existe um exemplo maravilhoso disso, um website indiano chamado ipaidabribe.com…

 … um site anticorrupção.

Exatamente. Os governos não foram capazes de priorizar o combate à corrupção durantes anos. Foi então que apareceram alguns websites nos quais qualquer pessoa que foi obrigada a pagar uma propina podia relatar a sua história. Nem os que pagaram nem os que receberam propinas são identificados, o que torna as discussões menos radicais. E em pouco tempo surgiu a notícia de que o governo tivera que responder às acusações. Ao agregar as mensagens, eu pude determinar onde estavam concentrados os maiores problemas. Aliás, eu dei uma entrevista de rádio no Reino Unido sobre essa questão, quando ela ainda era nova. E, quando viajei à China, uma semana depois, descobri sete websites similares que tinham acabado de ser lançados naquele país na mesma semana.

Aparentemente você levou o vírus dessa tendência consigo.

Talvez. Um estudante chinês me disse que o governo já estava tentando bloquear esses sites, mas que estes reapareciam.

Você acredita que a censura na China poderia fazer com que a Internet ficasse sob controle no longo prazo?

O Quinto Estado é sem dúvida frágil. Ele pode ser atacado pelos governos. Por outro lado, a Internet faz com que surjam expectativas quanto a uma sociedade aberta, especialmente em países como a China. Nós fizemos uma comparação internacional sobre até que ponto são importantes para os usuários da Internet valores como liberdade de expressão, privacidade e confiança. Surpreendentemente, a liberdade de expressão é significativamente mais importante para os usuários da Internet da China e da Índia do que para os usuários do Ocidente.

Os chineses e os indianos parecem também contribuir muito mais para o mundo online.

Sim, eles fazem uploads de mais fotografias e vídeos, escrevem mais mensagens, incluindo comentários a artigos de jornal, e eles respondem com mais disposição a pesquisas de opinião. Eles estão à nossa frente no que diz respeito a tudo que esteja na categoria definida pelo termo “Web 2.0”, e a China é a que mais se destaca quanto a isso. Isso pode se dever em parte ao fato de a mídia controlada pelo Estado ter menos a oferecer. Na China, a Internet é também muito mais importante como uma plataforma de entretenimento. Mas, conforme eu disse, toda infraestrutura na Internet pode ser também utilizada para objetivos políticos a qualquer momento…

  …desafiando, dessa forma, o equilíbrio de poder?

A tecnologia não é neutra. Até mesmo um aparelho simples como uma secretária eletrônica já abalou o equilíbrio do poder. Hoje em dia uma pessoa que recebe um telefonema pode determinar quando uma conversa ocorrerá – ou se ela de fato ocorrerá.

Você diz que os países emergentes estão se tornando dominantes na Internet. Isso afeta a evolução da Web?

É claro. Os indivíduos desses países não são apenas os usuários mais inovadores da Internet, mas eles têm também pontos de vistas significativamente mais liberais. E, como a proporção representada por eles está crescendo, o centro de gravidade da Internet está se distanciando da América do Norte e da Europa. Atualmente, cerca de 44% dos usuários da Internet já vivem na Ásia.

Sendo assim, os produtos mais empolgantes da Internet virão da China e da Índia daqui a dez anos?

Sim, isso é previsível. O Vale do Silício poderá sem dúvida perder a sua posição de dominância. Por outro lado, nós jamais soubemos qual seria a próxima grande novidade, nem de onde ela viria. E isso provavelmente ainda se aplicará durante os próximos 20 anos.

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