Diversas formas de aprender. Que tal um filme (ou dois)?

4 de julho de 2011 Processocom

por Franciele Zarpelon Corrêa

Não é novidade a relação cada vez mais próxima entre o pensamento/ação nos campos da comunicação e da educação. Em tempos contemporâneos, tal imbricação vem suscitar novas formas de aprendizagem, assim como conhecimentos mais atualizados e fragmentados. Ou seja, “Estamos passando de uma sociedade com sistema educativo para uma sociedade educativa, isto é, cuja rede educativa atravessa tudo, o trabalho e o lazer, o escritório e a casa, a saúde e o envelhecimento” (MARTÍN-BARBERO, 2003, p. 12, tradução livre). Portanto, não existem lugares, nem idade para se aprender!

Nessa perspectiva, podemos pensar, ainda, que, além da instituição escolar e universitária, com seus saberes sistematizados, estamos também diante de uma sociedade que compartilha saberes oriundos de outros espaços descentralizados, como é o caso da mídia. Por sua vez, essa atravessa e é atravessada pelas próprias vivências educacionais e comunicativas advindas das mais diversas culturas e grupos sociais.

O cenário atual também nos faz pensar a importância da comunicação e das aprendizagens dispersas nos espaços midiáticos que aí se encontram, enquanto forma de rupturas com visões fechadas às novas possibilidades de expressão que orientam os processos educativos da sociedade em que vivemos. Nesse sentido, compartilho com Braga e Calazans (2001) a ideia de que é também nas formas de entretenimento, como filmes, programas musicais e espetáculos, que o processo de aprendizagem se coloca e nos instiga à compreensão do mundo.

Diante disso, trago a seguir uma seleção de dois filmes que tratam de pensar questões educativas em nossa sociedade, a partir de distintas épocas, dimensionadas pela expressão comunicativa através da arte cinematográfica.

Escritores da Liberdade (Freedom Writers, 2007) – Baseado em fatos reais, o filme conta a história de uma professora que, ao começar a lecionar no Colégio Wilson, percebe, em sua primeira aula, que a realidade e educação naquele espaço não eram como havia imaginado. A turma em que dá aula, assim como toda a escola, é dividida em gangues e etnias, o que, por consequência, gera desavenças e violência no espaço educativo. Diante disso, mesmo decepcionada com tal situação e com o desinteresse dos alunos pelas aulas, a professora resolve superar as barreiras ali encontradas, ao oferecer aos estudantes o que na verdade eles mais precisam: voz própria! A sensibilidade da educadora em mexer com aspectos da vida desses alunos acaba também por tocar suas consciências.

Sociedade dos poetas mortos (Dead Poets Society, 1989) – O cenário é uma conceituada e tradicional escola preparatória dos anos 1950. O filme mostra as relações do novo professor de literatura com jovens cheios de sonhos e vontade de viver a vida intensamente. O professor John Keating tenta, a partir de seus métodos reflexivos e questionadores, incentivar os alunos a pensarem por si mesmos. Nesse sentido, alimenta a seguinte mensagem no decorrer da trama: “Carpe Diem!”. Desde sua primeira aula, ousa desconstruir histórias passadas e fazer com que os estudantes passem a pensar nos próprios objetivos para a vida futura. Entretanto, os alunos encontram-se inseridos num sistema acadêmico rígido e autoritário, que paralelamente se articula com um ideal de formação imposto por suas famílias. Já o professor, por sua vez, sofre o choque na relação com a ortodoxa direção do colégio, principalmente quando ele fala aos seus alunos sobre a “Sociedade dos Poetas Mortos”.

Referências

BRAGA, José Luiz. CALAZANS, Regina. Comunicação e educação: questões delicadas na interface. São Paulo: Hacker, 2001, 164p.

MARTÍN-BARBERO, Jesús. La educación desde la comunicación. Bogotá: Grupo Eitorial Norma, 2003, 136 p.


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