Mídia mostra visão masculina do mundo

6 de Março de 2010 Processocom

IHU – 04/03/2010

Em comparação aos homens, mulheres continuam sub-representadas na cobertura de notícias. Dos atores sociais entrevistados pela mídia, que aparecem na TV, que se manifestam no rádio ou nos jornais, 24% são mulheres e apenas 16% das notícias estão focadas especificamente em mulheres.

A notícia é da Agência Latino-Americana e Caribenha de Comunicação – ALC, 04-03-2010.

Os dados, ainda preliminares, são do Projeto de Monitoramento Global da Mídia 2010, e foram apresentados, ontem, em painel de debate na 54ª. Sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher, em Nova Iorque. O Monitoramento é um programa da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês) e foi realizado no dia 10 de novembro do ano passado.

Nesse dia, voluntários e voluntárias – comunicadores/as, jornalistas, estudantes, mestres, ativistas dos movimentos sociais – acompanharam, nas 24 horas, a emissão de notícias por emissoras de rádio, de televisão, de jornais, em 130 países. Os dados ontem divulgados foram construídos sob uma mostra de 42 países da África, Ásia, América Latina, Caribe, Ilhas do Pacífico e Europa, e representam 6.902 notícias, nas quais apareceram 14.044 entrevistados e entrevistadas.

Quase a metade das notícias – 48% – reforçam os estereótipos de gênero e apenas 8% os questionam, constatou o Monitoramento. Matérias realizadas por repórteres mulheres dão mais espaço a mulheres nas entrevistas, em comparação a matérias de repórteres homens.

“Parece que os meios de comunicação servem aos interesses masculinos. A atenção às mulheres é insignificante, mesmo quando a população feminina é superior ao de homens num país”, avaliou o secretário da Central União Africana de Jornalistas, Edouard Adzotsa, de Brazzaville, Congo.

O Projeto de Monitoramento da Mídia é coordenado pela WACC, que tem sede em Toronto, no Canadá, e conta com a colaboração para a tarefa das organizações Media Monitoring África, da África do Sul, e da Gender Link, respaldada, financeiramente, pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem). O relatório final será divulgado em setembro.

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