Segmentação, design e tamanho reduzido

23 de outubro de 2009 Processocom

Novos caminhos para o jornalismo

Tais Seibt

Dominique Wolton, em seu livro “Pensar a comunicação”, argumenta que quanto mais tecnicamente fácil é produzir informação, mais seu conteúdo se complica. A onipresença da informação complexifica o trabalho do jornalista de selecionar diariamente os fatos essenciais dos supérfluos, diz o autor. Nesse contexto, jornais impressos ao redor do mundo buscam saídas para não perder a fidelidade de seus leitores.

A partir da análise do relatório de comunicação da Catalunha, ao comentar os desafios da mídia impressa naquele país (sim, a Catalunha é uma nação) com os colegas do grupo de pesquisa Processocom, Rafael Tourinho, mestrando no PPG de Comunicação da Unisinos, trouxe à discussão a palestra de Jacek Utko. Utko é um designer de jornais polonês, cujos redesenhos para periódicos da Europa Oriental ganharam prêmios e aumentaram a circulação dos impressos em até 100%.

No vídeo, o designer argumenta que uma das esperanças de salvação do jornal, tal qual o conhecemos hoje, está na segmentação: não devemos ter um jornal para ser lido no país inteiro, mas sim um periódico dirigido a determinada comunidade, bairro, classe social, grupo de empresários ou qualquer outro nicho.

Outra proposta de Utko é de que o jornal deveria diminuir de tamanho, para tablóide ou até A4, além de melhorar seu projeto gráfico.

Buscando estabelecer relações entre o que aponta Utko e o quadro atual do jornalismo gaúcho, impossível não pensar em Zero Hora. Até mesmo seu tão criticado bairrismo ganha méritos. O tablóide gaúcho nunca se prestou a concorrer com os grandes standarts do centro do país. Sua vocação sempre foi a de ser o jornal dos gaúchos: onde estiver um gaúcho, lá estará Zero Hora.

No que se refere ao seu tamanho reduzido, questionado por quem chega de fora, Zero Hora tornou seu modelo o formato padrão de jornal para os gaúchos, fazendo com que até mesmo impressos tradicionais, como o Correio do Povo, redimensionassem suas páginas de acordo com o concorrente.

Por fim, vale analisar o investimento de Zero Hora em reformulações no visual de suas páginas. O jornal passou por uma significativa modificação em seu projeto gráfico em setembro de 2005. Menos de cinco anos mais tarde, uma nova proposta gráfica foi apresentada aos leitores.

Não quis, aqui, defender a linha editorial de Zero Hora, mas sim considerar a estratégia de sedução do jornal, que parece, no mínimo, estar em sintonia com as tendências do mercado editorial. O único contra-senso é que o jornal inaugurou, meses atrás, um novo e poderoso parque gráfico, desafiando aqueles que dizem que imprimir jornal será um investimento de risco em um futuro próximo.

comments

Previous Post

Next Post