Deixar-se levar com sensibilidade

20 de outubro de 2009 Processocom

Marcelo Ferreira

Quando reflito sobre o mito Che Guevara, penso que os fatos de grande importância só acontecem devido à conjunção de diversos fatores. No caso de Che e do sucesso da Revolução Cubana, entre outros, destaco a união de um homem com ideais apaixonados e transcendentes a um nacionalismo, com outros homens já cansados de viver em um país imerso na corrupção. E, essa união que aconteceu em um contexto político-social de pós Segunda Guerra Mundial onde a ideologia socialista ganhava forças de proporção continental, demonstrando ser possível questionar o capitalismo praticado pelas grandes potências do planeta, teve como resultado uma grande transformação em Cuba. Assim, concluo que construção contínua e vivência, aliadas a paciência e a um olhar sensível a momentos oportunos são essenciais para que uma navegação em mares desconhecidos seja coroada com a chegada a um porto seguro.

Longe de querer comparar-me a Che ou à Revolução Cubana, trago esta idéia para ilustrar este texto, que não poderia ser diferente de um relato sobre os meus primeiros passos no mundo da pesquisa.

Muitas vezes acabamos chegando a lugares diferentes daqueles planejados no início de uma caminhada. Assim foi o segundo semestre de 2009, que considero o culminar de um longo período de planejamento de mudanças nos rumos da minha vida. Receber o convite do professor Efendy para ser seu bolsista de iniciação científica, no exato momento em que eu decidira abandonar um emprego de mais de sete anos em busca de mudanças foi uma alegria. Foi uma alegria, e ao mesmo tempo suscitador de dúvidas.

Eu, cursando hoje o sexto semestre de jornalismo, já havia pensado em entrar para o mundo da pesquisa, seguindo os passos de alguns amigos que me comentavam sobre o seu trabalho junto aos professores, como bolsistas. Penso que só dessa forma eu alcançaria um debate sobre a comunicação como ciência, e não apenas como técnica, que apesar das tentativas curriculares da Universidade, me parece ser o que acontece, e é o que os estudantes, na sua maioria, esperam. Mas essa vontade nunca havia passado de um longínquo pensamento. Isso até a tarde em que eu recebi aquele convite, já durante os meus últimos dias na empresa em que trabalhei.

Confesso que me passou pela cabeça não mudar de planos, mas também pensei que, talvez, aquele convite pudesse ser a última oportunidade real de conseguir uma bolsa de iniciação científica, já que estou quase na reta final de minha graduação. Então eu decidi arriscar, mesmo sabendo que isso significaria muito trabalho e agenda apertada. Decidi aproveitar essa oportunidade e caminhar por esta nova estrada. Esses dois meses de contato com os colegas do grupo de pesquisa, os trabalhos teóricos com meu orientador, o aprendizado, a seriedade, enfim, toda essa vida exuberante escondida no terceiro andar do Centro de Comunicação, me convida a continuar neste caminho que, creio eu, com vivência e construção, paciência e com o olhar sensível, podem gerar frutos mais coloridos e saborosos do que eu poderia imaginar na primeira parte deste ano, quando apenas planejava mudanças.

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