Pensar a América Latina nos estudos comunicacionais

21 de setembro de 2009 Processocom

Rafael Foletto

O congresso da Intercom 2009 marcou, dentre outros fatos, o surgimento de um espaço para debater, pensar e refletir a América Latina, através do GP de Mídias, Culturas e Tecnologias Digitais na América Latina. Assim, tentarei apresentar brevemente a dinâmica do primeiro encontro desse GP, afim de contribuir para levantar alguns questionamentos e considerações sobre a América Latina no âmago do pensamento e dos estudos comunicacionais.

Não há outra forma de pensar o GP de América Latina, que não seja pela égide da diversidade, nos temas dos artigos, nas pesquisas apresentadas e pesquisadores que participaram. O que não poderia ser diferente, afinal, a diversidade é característica presente no mapa latino-americano, como bem expressou a coordenadora do GP, professora Maria Cristina Gobbi, “nossa identidade é a diversidade”. Nesse sentido, a diversidade residiu nos objetos e problemas de pesquisa que foram apresentados ao longo dos dois dias de debates do GP. Em contrapartida, raros foram os trabalhos que tiveram como objeto efetivamente a América Latina. O âmbito latino-americano se fez presente por meio dos autores abordados nos artigos e discussões do GP. Contudo, esse aspecto careceu de diversidade, preponderando os estudos de pensadores como Jesus Martín-Barbero, Néstor Garcia Canclini e Octavio Ianni.

É evidente que a obra, o pensamento, as pesquisas desses autores são inquestionáveis como importantes fontes e parâmetros para se pensar questões que envolvam o espaço latino-americano. No entanto, um questionamento me parece pertinente, até que ponto conhecemos, de fato, o que se produz de pensamento, de teoria, de pesquisa na e sobre a América Latina? Parece-me evidente que essa diversidade que marca a América Latina no imaginário de quase todos, também se faz presente no âmbito dos estudos comunicacionais, no que tange a autores, porém se apresenta pouco explorada e problematizada.

Acredito que um primeiro movimento para visualizar essa questão, seria pensar que autores e escolas de pensamento latino-americanos são usados nas disciplinas teóricas dos cursos de comunicação no Brasil. Qual é a representatividade da América Latina na formação teórica dos estudantes de comunicação? Será que a pouca multiplicidade de autores do GP é reflexo de uma formação carente de um horizonte mais amplo de obras, pensamentos e reflexos sobre a América Latina? Deixo esse simplório questionamento a todos.

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